sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Se esqueceres



Se tu fores capaz de esquecer bem esquecido a tarde em que entraste na minha vida só para mandar na minha própria rotina.
Se tu fores capaz de esquecer bem esquecido o olhar que sempre te dei descaradamente só para sentires a firmeza no que eu via.
Se tu fores capaz de esquecer bem esquecido a minha implicância contigo nas coisas simples em que te irritava só para sentir a tua ira nas palavras.
Se tu fores capaz de esquecer bem esquecido a colecção de músicas que fizemos só para dar o ritmo em cada passo ou momento que inventávamos.
Se tu fores capaz de esquecer bem esquecido os textos só para tirar proveito de uma frase ou outra.
Se tu fores capaz de esquecer bem esquecido todas as vezes que eu desabafei sem pestanejar só para saber se tu estavas na mesma onda que eu.
Se fores capaz de esquecer bem esquecido a tua não desistência e a minha tão forte teimosia em encarar o que já estava bem escancarado.
Se tu fores capaz de esquecer bem esquecido o facto de que quando tu aparecia todo o resto desaparecia para dar lugar ao que realmente me fazia querer.
Se tu fores capaz de esquecer bem esquecido o que me faz sorrir, o que me faz gargalhar, o que faz me perder, o que me faz sonhar, o que me faz querer-te.

Se tu fores capaz de esquecer o nosso fora do comum, a nossa montanha de momentos infinitos, o nosso para sempre, o nosso absurdamente fudido.
Se fores capaz de esquecer os onze dias que deram lugar para onze madrugadas só para nos levar à exaustão de um momento interminável.
Se fores capaz de esquecer bem esquecido que o gosto nunca foi o mesmo em mais de sete meses de convivência diária, que a rotina nunca foi igual nas tardes que chovia ou que o sol reinava que as discussões faziam parte de um pacote que precisa ser inteiro, que a procura nunca encontrou a porta do orgulho fechada.
Se fores capaz de esquecer bem esquecido a rede que nos balançava, as moscas que trepam, a energia que falta, o ciúme que reinava, o vento que faz o cabelo mexer, o olhar iluminado, o azul, o vermelho, a sede, a fome, a sombra, o deserto, a marca, o sangue, a mesa, a varanda.

Se fores capaz de esquecer bem esquecido o meu coração acelerado, o meu amor a transbordar, as minhas mãos nos teus dedos, o nosso corpo o instrumento e a nossa alma a ligação.
Se fores capaz de esquecer bem esquecido que não importa quem manda quem para o inferno, eu sempre troco a minha escuridão pela tua luz, a tua magoa pela minha certeza, a minha chateação pelo teu perdão que sempre é de coração, o meu vazio pelo o teu cheiro, as nossas palavras erradas pelas fortes, mas certas, o meu beijo pelo teu abraço.
Se fores capaz de esquecer bem esquecido que somos uma história inteira num curto período de tempo, que a tua história sempre foi a continuação da minha, que a tua história não encontra o ponto final na minha história.
Se fores capaz de esquecer bem esquecido (...)
Então eu esqueço muito , mesmo bem esquecido !

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