domingo, 29 de janeiro de 2012

História pequenina


O dia nasceu gelado e as brisas frescas fizeram-se sentir.
O sol amanheceu por entre o azul horizonte que se fazia notar, acompanhado dos incomparaveis ventos que nunca me deixa desamparado.
Despertei com a luz a querer entrar pelos orifícios pequeninos que me escapam todas as noites ao fechar a cortina.
Abri os olhos, e os lençóis que me cobrem a cama, estavam igualmente gelados como o orvalho que se deixava cair das nuvens.
O sonho que me embalou durante a noite longa e escura, iluminada pelas estrelas sempre brilhantes, foi de tal forma profundo, intenso e credível, que os meus olhos imploravam ar dos teus pulmões para começar bem o dia.
É para mim estranho ouvir o meu coração gritar por ti a horas tão fúnebres da manhã, em que toda a gente desperta do mundo em que me envolveste nesta noite mágica e começa o dia à procura de gestos perdidos e escondidos nas marés de Inverno.
Já te disse que gosto de sonhar contigo não já? Porque nos meus sonhos, eu sou teu, a tua força e também a tua alma que te preenche o coração com aquilo que te dou. Quando me deito sobre o pano que me abriga do frio empolgante que só não me congela a alma porque a tenho bem protegida num cantinho do meu peito, a minha casa é também a tua casa.
Onde partilhamos o tapete vermelho que cobre o chão dourado que testemunha tantas vezes as provas de amor que me dás ao fazer sentir-me teu, e até a chama crescente que consome o carvão dentro da lareira da nossa sala.
Consegues, por apenas alguns instantes, entender o porquê de não conseguir deixar fugir aquilo que me une a ti e à tua alma? Os sonhos que me envias todas as noites, preenchem a falta que me fazes, rebentam a corda que a saudade apertou no meu coração, fazem-me levar a ti e bloquear na página de amor que ficou por contar, o nosso.
O livro cor de paixão, em que escrevi cada detalhe da nossa história de amor pequenina mas forte, mantém-se no mesmo lugar, em cima da minha mesa de quarto.
Para que sempre que não esteja na hora de entrar no outro mundo que também comanda a vida, eu possa recordar, não só com memórias mas também com relatos puros, aquilo que me fizeste e fazes viver a cada dia que transcorreu e também em alguns que nos rebentaram nas mãos a cada amanhecer.
As memórias que guardo de ti, do diário da nossa paixão e da melodia que se fez soar na hora do adeus, fazem sorrisos esboçarem-se, sem medo, no meu rosto.
Porque hoje, estou aqui e nem sequer consigo viver com a tua ausência que, outrora, foi o pão de cada dia das lágrimas que solucei e respirei, como se fossem as últimas, que não foram.
Amo-teee <3

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