quarta-feira, 28 de dezembro de 2011


há dias em que escrever é uma autêntica loucura.
um suicídio – as portas não param de ranger ferozmente – não acredito em fantasmas. mas chego a crer que pode haver por aqui alma perdida zangada.
com a minha meditação transcendental na procura das palavras para compor textos que ninguém lê.
e esta seja apenas uma das muitas instigações para expulsar o corpo da tranquila busca vocabular – até a janela.
perfeitamente geométrica.
enfeitada com um tapa sol da última geração. moderníssima. a condizer com o bege quente das paredes não resiste ao meu bafo de desagrado pela falta de criatividade, não sei se a mando do tal fantasma que não acredito que exista.
embacio os vidros transparentes mutilando a única alegria que tenho nestes dias de completo vazio intelectual: ver a minha gaivota cinzenta com a tesoura a recortar nuvens.
como o jardineiro faz com os cedros nos jardins da minha terra.
e no céu milhares de figuras animadas pelo bater das tesouras reaparecem na minha imaginação. ganham vida – quero escrever mas tudo são sombras. medos. temores. e o suor encontra nos poros do corpo a forma de encharcar a fantasia – as palavras empapam.
e pela força do ph ácido desfazem-se.
desprendem-se da realidade traçada. como lepra. deixam-se cair em pedaços e tudo é letra misturada. sem sentido. sem juízo. sem mão capaz de as juntar – depois.
em desespero.
parto como carro desgovernado. e curva após curva percebo que quanto mais escrevo mais as rectas ganham teoria científica – não têm princípio nem fim – resta-me pouco lucidez.
e como um caminhante de mochila às costas nunca sei onde pernoitar. nunca sei onde termina a viagem.
nunca sei quando volto a encontrar a palavra-texto – às vezes [em confissão] acabo no caixote do lixo.
agoniado pelo cheiro a tinta queimada.
papel amarrotado e restos de iogurtes azedados – assim fico a morrer aos poucos até que outro texto me traga vida – sobrevivo. resisto. recorrendo ao ultimo grande sucesso do mundo moderno e mediatizado – o medo é uma cena que a mim não me assiste. como diz o hélio: sai da frente guedes

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